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Apostas online avançam e ampliam risco de endividamento entre famílias brasileiras


Aportes nas plataformas de jogos chegam a R$ 30 bilhões mensais, segundo o Banco Central. Volume acende alerta para impacto direto no consumo e estabilidade do orçamento doméstico

Com um crescimento exponencial, o mercado de apostas online tem gerado preocupação entre especialistas em finanças e instituições que atuam na promoção da educação financeira. No Brasil, os valores apostados em plataformas digitais já ultrapassam os R$ 30 bilhões mensais, segundo dados recentes do Banco Central. A facilidade de acesso e a ausência de controle efetivo vêm comprometendo o orçamento de milhares de famílias, especialmente nas camadas mais vulneráveis da população. O cenário é visto como um alerta para quem acompanha de perto os impactos da expansão das apostas online nos hábitos financeiros, como o diretor-presidente do Sicoob UniCentro Br, Diogo Mafia.  

“O que era visto como entretenimento está se tornando uma armadilha silenciosa para a renda das famílias. Estamos assistindo a uma financeirização da ilusão, em que muitos brasileiros acreditam que vão resolver seus problemas financeiros com sorte, quando, na verdade, estão agravando o endividamento”, afirma o dirigente da instituição financeira. É o que diz também a Confederação Nacional do Comércio (CNC), ao revelar o número de inadimplentes ligados a esse tipo de gasto já ultrapassa 1,3 milhão de pessoas. A entidade divulgou ainda que, entre 2023 e 2024, os brasileiros destinaram cerca de R$ 68 bilhões a essas plataformas de jogos.  

Para Diogo Mafia, no intuito de reverter esse cenário, é urgente resgatar o papel do dinheiro como instrumento de planejamento e não de aposta. “Precisamos reforçar a cultura do cuidado com as finanças pessoais, sobretudo em um momento em que o marketing agressivo das plataformas digitais transforma o vício em jogos em um produto de consumo”, destaca. Nesse sentido, ele ressalta a importância de ações voltadas à educação financeira, que ofereçam orientações, conteúdos educativos e suporte a famílias endividadas. “O jogo é programado para gerar lucro, mas não para o apostador. Por isso, é fundamental promover o senso crítico e o planejamento, para que as famílias não troquem sonhos por promessas vazias”, pontua. 


O risco para os mais vulneráveis 

Outro fator preocupante é a vulnerabilidade das famílias envolvidas com esses jogos de azar. Um levantamento da Receita Federal indicou que, apenas em agosto de 2024, mais de cinco milhões de beneficiários do Bolsa Família transferiram R$ 3 bilhões para sites de apostas por meio do Pix, o que seria equivalente a 20% do orçamento mensal do programa. “Quando recursos destinados à alimentação ou à educação dos filhos são usados em jogos de azar, não estamos mais falando apenas de uma escolha individual, mas de um problema social que exige resposta urgente. O prejuízo não é apenas financeiro, é humano”, alerta o diretor. 

Diogo Mafia acredita que a situação exige uma atuação conjunta entre governo, instituições financeiras e sociedade civil. Entre as medidas consideradas essenciais estão a restrição ao uso de benefícios sociais em plataformas de apostas, a ampliação da educação financeira desde a infância, o fortalecimento da regulação do setor e campanhas de conscientização sobre os riscos da ludopatia (compulsão por jogos de azar, loterias, bingos, cassinos, dentre outros). “Enquanto se aposta no improvável, perde-se no essencial.  Por isso, tenho certeza de que apenas por meio da educação e do apoio mútuo, é que será possível construir uma sociedade financeiramente saudável e resiliente”, arremata. 

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